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Brasil intensifica seu apoio a Israel na ONU e destaca sua posição como aliado

O Brasil se tornou um dos poucos defensores de Israel na ONU, se destacando no Conselho de Direitos Humanos como um de seus aliados.

Publicada em 26/03/21 às 07:13h - 163visualizações

por Luana Novaes - Fonte: Guiame


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Reunião do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na Suíça.  (Foto: ONU/Jean-Marc Ferré)
O Brasil tem se tornado o novo melhor amigo de Israel diante da comunidade internacional.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra adotou na terça-feira (23) uma série de resoluções que denunciam Israel por possíveis violações nos territórios palestinos. Enquanto a maioria dos países europeus votaram em oposição a Israel, o Brasil manteve uma posição favorável à nação judaica.

Em um total de quatro resoluções que vão contra as políticas de Israel, o Brasil defendeu o Estado judeu em três, optando por votar contra as moções ou abster-se. Em uma delas, enquanto 32 países votaram contra Israel, o Brasil esteve entre os 6 que estiveram a favor.

Uma das outras três resoluções aprovadas foi a respeito da política de direitos humanos de Israel nas Colinas de Golã — que foi capturado da Síria durante a Guerra dos Seis Dias de 1967 e formalmente anexado em 1981, um movimento não reconhecido pela maioria da comunidade internacional.

As outras duas moções eram sobre o “direito dos palestinos à autodeterminação” e as políticas de assentamento de Israel.

A única resolução que contou com o voto favorável do Brasil se referia ao direito dos palestinos à autodeterminação — um documento que foi aprovado pela grande maioria dos membros do Conselho da ONU, inclusive por aliados de Israel, informa a coluna de Jamil Chade no UOL.

Assentamento judaico de Ma’ale Efrayim na Cisjordânia, no Vale do Jordão, em junho de 2020. (Foto: AP/Oded Balilty)

Segundo Jamil Chade, a posição pró-Israel do Itamaraty é reflexo de uma aproximação diplomática e também da influência da base evangélica do governo de Jair Bolsonaro. “Israel é uma espécie de referência para as igrejas pentecostais, muitas das quais contam com ampla influência em ministérios no Brasil”, afirma.

O apoio do Brasil a Israel foi marcado por um gesto inédito nesta semana, destaca a coluna. “Foi a delegação brasileira quem pediu a palavra na reunião sugerindo que as resoluções não fossem aprovadas e que fossem submetidas ao voto. Em termos diplomáticos, tal gesto é apenas adotado pelos aliados mais próximos”, explica Jamil.

A publicação ainda informa que a decisão brasileira quebrou uma tradição, “já que o Itamaraty evitava sempre ser o país a solicitar voto”.  

“Internamente, a iniciativa foi aplaudida por grupos evangélicos, que cobram o governo por uma ação mais clara de apoio aos pontos defendidos por Israel”, avalia Jamil.

Histórico da relação Brasil-Israel

Desde o início da presidência de Bolsonaro em 2019, Israel tem encontrado no Brasil um novo aliado. Netanyahu foi o primeiro líder israelense estar no País, em uma visita considerada “histórica”. 

Os dois países passaram a impulsionar sua cooperação mútua econômica, militar e tecnológica. Em homenagem a esse laço, os correios brasileiros emitiram um selo especial para comemorar o 70º aniversário da criação do Estado de Israel e celebrar a amizade entre os dois países.

Sob a liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) de 2003 a 2016, o Brasil assumia uma postura bem diferente. Em 2010, Lula reconheceu a Palestina como um Estado independente dentro das fronteiras de 1967, em detrimento dos territórios conquistados por Israel.

No mesmo ano, Lula foi o primeiro presidente brasileiro a visitar a Palestina. Em seguida, ele anunciou diversas medidas pró-palestinas, incluindo o aumento da representação diplomática entre os dois países e a doação de um terreno próximo ao Palácio do Planalto para a embaixada da Palestina.

Essa abordagem foi mantida por sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff. Em 2014, o Itamaraty condenou a força “desigual” usada por Israel na ofensiva militar de Israel contra Gaza e chamou de volta o embaixador brasileiro de Tel Aviv.

No ano seguinte, o Brasil rejeitou a nomeação de Dani Dayan como Embaixador de Israel no Brasil por causa de sua posição sênior no Conselho Yesha, representando os assentamentos de Israel.



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